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Carreira sem sentido? Como encontrar seu propósito e alinhar sua vida profissional

Foto do escritor: Raquel Pedrosa
Raquel Pedrosa
19 de mar.
4 min de leitura

Eu quase vivi o sonho do meu pai para mim e perdi o meu
Eu quase vivi o sonho do meu pai para mim e perdi o meu

Existe um tipo de dor que não aparece nos resultados, nos títulos ou nas conquistas.

É aquela sensação silenciosa de estar no lugar certo, vivendo a vida errada.

Por muito tempo, eu não soube nomear isso. Mas eu senti.


Meu pai tinha um sonho para mim, me ver formada em Direito, quem sabe uma juíza. E eu sempre o amei profundamente. Talvez por isso, em alguns momentos da minha vida, essa ideia tenha voltado como uma possibilidade de caminho.

Mas a verdade é que, mesmo sem saber exatamente qual era o meu, eu já sentia que aquele não era.


Anos depois, já formada e com uma carreira consolidada, eu vivia uma rotina intensa como executiva de vendas. Liderava equipes, respondia por centenas de pessoas direta e indiretamente, percorria longas distâncias em estradas, participava de reuniões constantes e sustentava resultados.


Por fora, tudo funcionava.Por dentro, algo não encaixava.


Essa sensação não é rara. Muitas vezes, a mente consciente acredita que está no caminho certo, mas o inconsciente carrega sinais de desalinhamento. Quando existe esse conflito interno, o corpo e as emoções começam a se manifestar.


E esse tipo de desconexão não chega gritando. Ela começa sutil. Quase imperceptível.Até que um dia transborda.

Lembro de um momento muito claro. Eu estava dirigindo sozinha na estrada, chorando, com uma pergunta insistente na mente: se eu tivesse seguido o caminho que esperavam de mim.


Naquele impulso, parei o carro em frente a uma faculdade de Direito. Liguei para o meu pai e disse que iria me inscrever. Do outro lado da linha, ele ficou feliz. Orgulhoso.


Mas enquanto aguardava, algo mudou.

Comecei a observar o ambiente, os estudantes, as conversas, os livros. E, pela primeira vez, senti com clareza aquilo que talvez eu já soubesse há muito tempo: aquele não era o meu caminho.

Eu não consegui me inscrever.

Saí de lá com mais dúvidas do que respostas. Porque, ao mesmo tempo, também sabia que não estava feliz onde estava.


Era uma vida de alta performance, mas desconectada de mim.

E esse é um ponto importante. A mente pode sustentar uma vida inteira baseada em performance, mas quando não há alinhamento interno, surgem sinais como ansiedade, exaustão, falta de sentido e desconexão emocional.


Os meses seguintes foram intensos. Estradas, pressão, viagens, cansaço. Em um único ano, quase me envolvi em três acidentes graves. Situações que poderiam ter mudado completamente o rumo da minha história.

Hoje, trabalhando com hipnoterapia, entendo com clareza o que acontecia ali. Eu não estava apenas cansada. Eu estava vivendo um padrão automático, conduzido por expectativas, crenças e programações que não eram, de fato, minhas.

Mas não mudaram.

Hoje eu entendo que eu estava sendo preservada.

Não apenas fisicamente.Mas emocionalmente.Existencialmente.

Era como se a vida estivesse me convidando a parar e olhar para dentro.

E foi isso que, aos poucos, começou a acontecer.



Essa foto que encontrei na minha galeria, de uma série de palestras que realizei para a OAB-MS, representa muito mais do que um momento profissional. Ela representa um ponto de virada.

Porque ali eu já não era a executiva tentando dar conta de tudo.Também não era alguém tentando se encaixar em um caminho que não era seu.


Ali, eu já estava vivendo o meu chamado.

Não como advogada.Não como juíza.Não como alguém que seguiu o roteiro esperado.

Mas como alguém que escolheu olhar para dentro, se alinhar com sua verdade e, a partir disso, contribuir para a transformação emocional e mental de outras pessoas.


Com o tempo, entendi algo que mudou completamente a minha forma de enxergar a vida e o trabalho.

A mensagem é sempre maior do que o mensageiro.E, muitas vezes, nós somos apenas instrumentos.

O problema é que muitas pessoas passam anos tentando caber em caminhos que não são seus. Sustentam uma vida que faz sentido por fora, mas não por dentro. Ignoram sinais, silêncios e desconfortos.


Até que o corpo fala.A emoção transborda.Ou a vida interrompe.

E, nesse momento, o custo pode ser alto.

É exatamente nesse ponto que a hipnoterapia se torna uma ferramenta profunda. Porque ela acessa o nível onde essas programações estão registradas e permite ressignificar padrões, alinhar identidade e reconstruir caminhos com mais consciência.


Hoje, olhando para minha trajetória e para tudo o que vivo no trabalho com pessoas, líderes e empresas, uma coisa é clara.

Alta performance sem alinhamento interno cobra um preço.

E cada vez mais organizações começam a perceber isso. Não apenas no aumento de afastamentos, mas na queda de engajamento, nos conflitos silenciosos e na dificuldade de sustentar resultados de forma consistente.


Porque pessoas não são apenas recursos. São histórias, emoções, pressões e expectativas. E quando não estão alinhadas consigo mesmas, isso inevitavelmente impacta tudo ao redor.

Talvez, no fundo, essa não seja apenas uma reflexão sobre carreira.

Mas sobre verdade.Sobre coragem.Sobre escuta interna. E, principalmente, sobre escolha.


A pergunta que fica não é apenas o que você faz.

Mas de onde isso vem.


Você está vivendo o caminho que escolheram para vocêou o caminho que realmente é seu?

 
 
 

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